A HOMOSSEXUALIDADE À LUZ DO ESPIRITISMO

Em seu caminho em direção ao progresso moral, o espírito reencarna como homem ou mulher, sucessivamente, segundo sua incumbência, provas e deveres a serem cumpridos em cada passagem pelo mundo material.

“Qualquer maneira de amor vale a pena”, como diz a música de Milton Nascimento, pode descrever resumidamente a visão do Espiritismo sobre a homossexualidade. Segundo a doutrina, a Espiritualidade Superior não distingue o espírito encarnado segundo seu invólucro físico. Cada espírito reencarna na Terra infinitas vezes, no caminho em direção ao progresso moral, como homem ou mulher, sucessivamente, segundo sua incumbência, provações e deveres a serem cumpridos em cada passagem pelo mundo material. Exigido é, para o espírito encarnado, sob qualquer orientação sexual, que paute sua existência na Terra segundo as leis do amor. Diz Allan Kardec no “O Livro dos Espíritos”:

  • “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.”

De acordo com essa visão, a cada reencarnação o espírito pode trazer inclinações, gostos e caráter do sexo que deixou para trás. Todos os problemas relativos à condenação e perseguição dos homossexuais são fruto do atraso de evolução moral da sociedade humana.

No livro “Sexo e Destino”, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, o espírito André Luiz descreve o Almas Irmãs, instituição socorrista do plano espiritual que acolhe os desencarnados com dívidas e resgates relativos às paixões e à sexualidade. Nesse hospital-escola, os espíritos são esclarecidos e instruídos sobre todas as questões relativas ao sexo, com vistas à reencarnação na Terra, principalmente nas mesmas famílias, ou são encaminhados a estágios de retificação em outras instituições.

  • O “Almas Irmãs”, assim chamado pelos fundadores que o levantaram em socorro dos irmãos necessitados de reeducação sexual, exibia plano extenso de construções. Conjunto de linhas harmoniosas e simples, ocupando quatro quilômetros quadrados de edifícios e arruamentos, parques e jardins. Autêntica cidade por si. Inalava-se tranqüilidade, alegria. Das aleias em verde repousante, flores tangidas pelo vento figuravam-se acenos de boas-vindas.
  • Os internados ou estudantes vinham, em maioria, de estâncias purgatoriais, após alijarem as conseqüências mais imediatas dos vícios e paixões aviltantes, por eles acalentados no plano físico. Rigorosamente examinados, atendiam a critério de seleção, nas paragens de angústia expiatória em que se demoravam, e somente depois de julgados dignos entravam naquele pouso de refazimento para estações mais ou menos longas de estudo e meditação, pesquisando as causas e observando os efeitos das quedas de natureza afetiva em que se haviam precipitado.
  • Todos eles, depois de suficientemente instruídos, são recambiados ao domicílio terrestre, onde reencarnam nos ambientes em que faliram e, tanto quanto possível, nas equipes consanguíneas que lhes impuseram prejuízos ou que lhes sofreram os danos. Ali, a mente se rearticulava, aprendia, refazia, restaurava, mas, de modo geral, sempre no objetivo de retornar ao mundo, a fim de incorporar em si mesma o valor das lições recebidas.

Nessa passagem pela instituição, André Luiz começa sendo apresentado pelo irmão Félix à visão da divisão dos sexos, de acordo com os princípios da doutrina espírita. Segundo esse ponto de vista, toda e qualquer ação ou ligação de natureza sexual cria laços de responsabilidade entre as partes.

  • Na Espiritualidade Superior o sexo não é considerado unicamente por baliza morfológica do corpo de carne, distinguindo macho e fêmea, definição unilateral que, na Terra, ainda se faz seguir de atitudes e exigências tirânicas, herdadas do comportamento animal. Entre os Espíritos desencarnados, a partir daqueles de evolução mediana, o sexo é categorizado por atributo divino na individualidade humana, qual ocorre com a inteligência, com o sentimento, com o raciocínio e com faculdades outras.
  • Quanto mais se eleva a criatura, mais se capacita de que o uso do sexo demanda discernimento pelas responsabilidades que acarreta. Qualquer ligação sexual, instalada no campo emotivo, engendra sistemas de compensação vibratória, e o parceiro que lesa o outro, até o ponto em que suscitou os desastres morais consequentes, passa a responder por dívida justa. Todo desmando sexual danificando consciências reclama corrigenda, tanto quanto qualquer abuso do raciocínio. Homem que abandone a companheira sem razão ou mulher que assim proceda, gerando desregramentos passionais na vítima, cria certo ônus cármico no próprio caminho, pois ninguém causa prejuízo a outrem sem embaraçar a si mesmo.

Na explanação, aprende-se que, segundo o Espiritismo, masculinidade e feminilidade totais não existem na personalidade humana, já que o espírito, ao longo de sucessivas reencarnações ao longo de séculos e até milênios, carrega em sua bagagem características difíceis de se “enquadrar” nos conceitos de “normalidade” da humanidade.

  • A Terra, a pouco e pouco, renovará princípios e conceitos, diretriz e legislação, em matéria de sexo, sob a inspiração da Ciência, que situará o problema das relações sexuais no lugar que lhe é próprio. Na Crosta Planetária os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico.
  • Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de característicos viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social.

Falando especificamente sobre a homossexualidade, Félix esclarece que toda reencarnação “inversiva” (termo usado na época em que o livro foi psicografado, em 1963), como homossexual ou transsexual, atende à necessidade de expiação de erros de vidas anteriores ou de missão específica em determinado grupo social ou familiar. Muitas vezes a reencarnação nessa condição é solicitada pelo próprio espírito, a fim de reparar comportamentos de outras encarnações.

  • Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais, Félix demonstrou que inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Referiu ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta.

A Espiritualidade Superior não faz qualquer distinção entre opções sexuais, sendo todos os espíritos julgados segundo os mesmos critérios. Entretanto, há um alerta: comportamentos e ações de “pessoas tidas por normais” (segundo os padrões e normas das sociedades terrestres) são examinadas com ainda mais severidade justamente por conta dessa “normalidade”, já que sofreram menos repressão, preconceito e dor do que aqueles que não se enquadravam nos moldes sociais aceitados em sua época.

  • Nos foros da Justiça Divina, as personalidades humanas tachadas por anormais são consideradas tão carecentes de proteção quanto as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo critério aplicado às culpas de pessoas tidas por normais, notando-se, ainda, que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem, no clima estável da maioria.

O instrutor salienta também que o preconceito, na Terra, ainda está arraigado devido à população terrestre ainda ser formada, em sua maioria, por espíritos “ignorantes”, incapazes de entender e enxergar “valores sublimes do amor” em suas diferentes formas, preferindo taxá-los como “devassidão”.

  • Sobre preceitos e preconceitos vigentes na Terra, Félix ponderou que os Espíritos ainda ignorantes ou animalizados, por enquanto em maioria no seio de todas as nações terrestres, estão invariavelmente decididos a usurpar liberalidades prematuras para converter os valores sublimes do amor em criminalidade e devassidão.

Lembrando que a mensagem do espírito André Luiz foi psicografada nos anos 1960, Félix anuncia que no “mundo porvindouro” todos os homens serão tratados em pé de igualdade, assim como serão reparadas as injustiças, perseguições e crueldades sofridas por aqueles que voltam à Terra.  O instrutor salienta que, à medida em que a humanidade evolui sob o ponto de vista moral, ainda que lentamente, todos os encarnados poderão viver plenamente sua forma de sexualidade, sem medo, mentiras ou necessidade de auto-repressão, desde que pautando sua vida sexual em valores superiores como amor e doação.

  • Acrescentou, no entanto, que no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o Sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos.
Posted in POSTS.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *