POR QUE HIPPOLYTE RIVAIL MUDOU SEU NOME PARA ALLAN KARDEC?

Allan Kardec é um nome conhecido e falado no mundo todo. Denisard Hippolyte Leon Rivail bem menos. Por que o codificador do espiritismo teria adotado um pseudônimo? Qual seu significado? 

O educador e cientista francês Denisard Hippolyte Léon Rivail elegeu seu pseudônimo quando um espírito lhe revelou que haviam vivido juntos entre os celtas, na antiga região da Gália, quando Denisard se chamava “Allan Kardec”. O momento exato da mudança aconteceu em uma sessão espírita do ano de 1857, quando o espírito protetor Zéfiro comunica a Denisard tê-lo conhecido em uma vida anterior. Sob esse pseudônimo, então, ele assinou e publicou as obras que sintetizam a Doutrina Espírita e o tornaram mundialmente conhecido. Como antes de seu notável trabalho como a pesquisa científica sobre fenômenos paranormais, Denisard foi discípulo do reformador educacional Johann Heinrich Pestalozzi e assinou diversos estudos, achou que deveria separar suas obras da “ciência ditada pelos espíritos” de seus anteriores trabalhos pedagógicos.

Os celtas foram um dos grandes povos da Europa entre os anos 600 e 50 a.C., quando seus domínios se estendiam principalmente pelos atuais França, Grã-Bretanha, Espanha e Portugal. Como as tribos celtas viviam em constante conflito e guerra, apesar das tentativas de unificação, foram uma a uma sendo conquistadas pelo imperador César e seus territórios anexados ao Império Romano. As poucas tribos que resistiram e avançaram pela era cristã habitavam o norte das atuais Escócia e Irlanda.

Os druidas eram os sacerdotes dos celtas, uma mistura de sábios, videntes e curandeiros. Seus cultos eram realizados sob as copas das árvores, junto a fontes e rochas, considerados santuários divinos. Criaram também um alfabeto, chamado Ogham, que também funcionava como oráculo, baseado no simbolismo de árvores como o carvalho, a bétula, o salgueiro e muitas outras. A cerimônia druida mais importante era a em que se colhia o visco do carvalho, sua árvore mais sagrada, com um foice em formato de meia lua.

Erigiram monumentos de pedra, os dólmens, muitos dos quais podem ser vistos até hoje. O mais famoso é o de Stonehenge, na Inglaterra. Fato interessante é que as festas celtas que assinalavam o início das estações, as épocas das colheitas e semeaduras, influenciaram comemorações que duram até hoje nas mesmas datas, como o Carnaval, São João e Halloween.

Uma das lendas mais famosas da história, a do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, está impregnada da cultura celta, já que o mago Merlin era um druida. Mais recentemente, a magia do druidismo foi resgatada pelos livros best sellers da série “As Brumas de Avalon”, da escritora Marion Zimmer Bradley.

O druidismo é considerado precursor do espiritismo, já que a religião celta converge em vários pontos com os princípios da doutrina espírita, como a existência de um Deus como princípio cósmico criador do Universo e as sucessivas reencarnações como fator de progresso dos espíritos.

Allan Kardec aceitava integralmente sua condição de druida reencarnado, mas devido a seus inúmeros afazeres pouco explicou essa ligação passada em suas obras. Ele comentou o “segredo da morte” dos druidas na “Revista Espírita” de abril de 1869: “O princípio da reencarnação na Terra não é peculiar ao espiritismo europeu; era um ponto fundamental da doutrina druídica”, escreveu Kardec. Outro fato curioso é que a sepultura de Kardec no mais famoso cemitério do mundo, o Père-Lachaise, em Paris, está adornada com um monumento druídico em pedra, um dólmen, homenagem de sua esposa e seus amigos.

Para quem quiser saber mais sobre a religião celta e a relação do druidismo com o espiritismo, a obra fundamental é o livro “Allan Kardec – O Druida Reencarnado”, de Eduardo Carvalho Monteiro (252 páginas, R$ 15,00), está disponível na Livraria do CCDPE (clique aqui para comprar).

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