QUEM TEM MEDO DA MORTE?

A doutrina espírita nos consola e nos ensina que o espírito vive para sempre. Assim, precisamos nos educar nesta vida para criarmos um novo futuro. 

Por Alan Diniz Souza

Eu temo, tu temes, eles temem, vós…

Vivemos focados na matéria, a grande maioria de nós criados para o “ter”. Queremos ter o melhor carro, a melhor casa, a melhor roupa ou até o melhor corpo. Neste modelo da cultura ocidental do consumo e da posse. Confundimos até o que é mais importante: nossa essência espiritual ou nosso corpo físico? Vivemos numa ânsia desvairada de tudo ter.

Quanto mais ajuntamos, mais tememos perder, mais precisamos nos proteger dos outros e isto gera o medo da perda. Achamo-nos eternos no corpo e isto gera a fuga da realidade, sendo em alguns a ponto de nem querer pensar na morte do próprio corpo físico e se afastar de tudo que conquistou. Estamos presos à matéria e ela é passageira, tornando nossa vida muito frágil e sem sentido, pois colocamos todas as nossas esperanças e propósitos em tudo que é passageiro.

Qual conquistador, de Alexandre o Grande a Hitler, ficou com alguma conquista sua para sempre? Nem nós ficaremos.

Desapegar da necessidade da posse é um bom caminho para espiritualizarmos nossos sentimentos.

Para mudar, precisamos refletir sobre o ter e o ser, sobre como gerar importância para o outro, sobre como sobreviver à morte através de nossas realizações no presente, onde as reverberações destas ações criem para o outro nossa importância. Falam que só damos valor quando não temos mais, ou quando ainda não temos. Quando refletimos que nada e nem a e nem a ninguém temos definitivamente, podemos começar a dar mais importância, a valorizar os gestos e ações de cada um e não só corpos e matérias.

Quando pensamos na vida, naturalmente a transformamos, surgem possibilidades, novas formas, novas posições mentais. Nestas possibilidades, precisamos refletir sobre o modelo espírita, que nos afirma que a vida continua, para começarmos a refletir numa nova ótica: a do espirito para a matéria.

No modelo espírita encontramos a consolação necessária para educar nosso desejo de ter e entendermos que a vida é eterna, a do espírito, e para esta vida eterna precisamos nos educar para “ser” e criarmos um novo futuro, uma nova vida. Vida esta mais espiritualizada.

Nossos objetivos mudam para a direção da evolução do nosso espírito eterno. Podemos ter tudo que quisermos, mas somente aquilo que utilizaremos na construção do nosso bem e do bem do nosso próximo. Utilizando o modelo de Jesus na construção do belo e do bem, nossa vida fica mais leve e muito mais objetiva. Nossos corpos se transformam em ferramentas de evolução para nosso espirito. A matéria a serviço do espiritual e este a serviço de Deus.

A vida nos aguarda na sua plenitude para meditarmos na continuidade dela. O autoconhecimento nos leva a pensar na riqueza da vida espiritual e na vida que resista à vida material.

Pense nisto. Vale a pena!

 

Texto originalmente publicado no site da União Espírita de Piracicaba.

Ilustração: reprodução do quadro de Gabriel Cornelius Ritter von Max (1840-1915)

Posted in POSTS and tagged , , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *